Atendo em São Paulo como cirurgião do aparelho digestivo, com prática diária em avaliação e tratamento de hérnias abdominais. Explico quando a cirurgia é indicada, quais técnicas uso (laparoscópica e, em cenários selecionados, robótica), como organizo o pré e o pós-operatório e quais resultados costumo buscar. A ideia é transformar incômodo, abaulamento e limitações no dia a dia em um plano claro, com etapas definidas e previsibilidade.
Hérnia: o que é e quando precisa de cirurgia
Começo sempre pela definição simples: hérnia é a saída de conteúdo interno (geralmente gordura ou alça intestinal) por um orifício ou ponto enfraquecido da parede abdominal. Ela aparece como um abaulamento que aumenta com esforço, tosse ou ao ficar em pé, e tende a reduzir ao deitar ou empurrar com a mão. Hérnia não “vira músculo” nem “seca” com remédios; é um defeito mecânico da parede. O tratamento definitivo, quando indicado, é cirúrgico.
Antes de falar de técnica, avalio sinais de alerta e impacto funcional. Dor que piora, aumento progressivo do abaulamento, dificuldade de reduzir a hérnia, episódios de vômito e distensão acendem o alerta para encarceramento ou estrangulamento, situações que podem exigir operação com mais urgência. Fora do cenário agudo, indico cirurgia quando a hérnia limita a rotina, cresce com o tempo, gera dor recorrente ou quando o risco de complicação supera o de observar.
O que é hérnia abdominal
A parede abdominal é formada por camadas de músculos e aponeuroses que mantêm os órgãos no lugar. Com esforço repetido, cirurgias prévias, aumento de pressão dentro do abdome, alterações do colágeno ou fatores individuais, essa parede pode ceder em pontos específicos, criando um “caminho” por onde o conteúdo interno protrui. A hérnia pode ser reduzível (vai e volta), encarcerada (não volta com facilidade) ou estrangulada (quando a circulação do conteúdo herniado está comprometida). Essa última é uma urgência.
Tipos mais comuns de hérnia (inguinal, umbilical, hiatal)
Falo aqui das mais frequentes no consultório:
- Hérnia inguinal: surge na região da virilha. Pode ser direta ou indireta, e é muito associada a esforço, tosse crônica ou constituição da parede. Em homens, é a mais comum.
- Hérnia umbilical: aparece no umbigo, em adultos por aumento de pressão intra-abdominal (sobrepeso, gestações, esforço) e em crianças por fechamento tardio do anel umbilical (na maioria resolve espontaneamente na infância).
- Hérnia hiatal: diferente das de parede. Aqui, uma porção do estômago ascende pelo hiato do diafragma para o tórax e costuma se associar a refluxo gastroesofágico. A abordagem é distinta: o foco é o refluxo e a anatomia do hiato, não o reforço da parede abdominal.
Existem ainda as incisionais (na cicatriz de cirurgias anteriores) e as epigástricas. Em todas, avalio tamanho, sintomas, redução e fatores de risco para decidir o melhor momento de operar.
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Tratamentos modernos para hérnia
Hérnia é um problema mecânico, e a solução é reparar a parede. O pilar é reconstruir o defeito e reforçar a região com tela quando indicado. O que muda entre as técnicas é o caminho para chegar até o defeito, a forma de fixar a tela e a experiência do pós-operatório. Eu explico cada via com transparência, alinho expectativas e mostro quando cada abordagem faz mais sentido.
Técnica laparoscópica
Na videolaparoscopia, opero por pequenas incisões e uso uma câmera para ampliar a visão. Acesso o interior do abdome (ou o espaço pré-peritoneal, nas técnicas TEP/TAPP para virilha), reduzo o conteúdo herniado, libero aderências quando necessário e posiciono a tela para cobrir o defeito com margem adequada.
Em hérnia inguinal, as técnicas TAPP (via transabdominal pré-peritoneal) e TEP (totalmente extraperitoneal) são escolhas comuns. Em umbilicais e incisionais, também há opções laparoscópicas, especialmente úteis quando há defeitos múltiplos ou recorrentes.
Quais benefícios espero? Em geral, menos dor de parede, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades. Também há melhor visualização de defeitos bilaterais na virilha. Mas a decisão é individual: avalio tamanho do defeito, história cirúrgica, ocupação, comorbidades e objetivos do paciente.
Cirurgia robótica
A cirurgia robótica segue princípios da laparoscopia, com visão em alta definição e braços articulados que aumentam a precisão, ajudam no fechamento do peritônio e na fixação mais controlada da tela, especialmente em áreas de difícil acesso ou em reoperações.
Em hérnias incisionais complexas e hiatais volumosas, a plataforma pode oferecer ergonomia e suturas mais precisas, o que facilita a reconstrução anatômica. Eu apresento cenários em que a robótica agrega e outros em que a laparoscopia convencional já entrega o que precisamos.
Benefícios da cirurgia minimamente invasiva
Quando comparadas à via aberta (incisão maior na parede), as abordagens laparoscópica e robótica costumam trazer incisões menores, menos dor, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades leves, com boa visualização do campo e dissecção delicada dos planos. Isso não significa que a via aberta “acabou”.
Em hérnias muito grandes, com pele comprometida, necessidade de retalhos ou quando a anatomia não é favorável, a via aberta pode ser a escolha mais segura. Eu deixo essa avaliação clara no pré-operatório.
Por que operar com o Dr. Antonio Cury?
Unir consulta estruturada, planejamento cirúrgico e pós-operatório organizado é o que faz a diferença no resultado. Minha rotina integra avaliação clínica de sintomas, decisão sobre o melhor momento de operar, escolha da técnica e acompanhamento próximo no pós.
Experiência em cirurgias digestivas complexas
Minha prática envolve cirurgia do aparelho digestivo e oncologia gastrointestinal, o que me mantém em contato contínuo com laparoscopia e robótica em cenários que exigem dissecção precisa e planejamento rigoroso. Essa experiência transborda para as hérnias, onde a decisão técnica (tela, posicionamento, fixação, plano de acesso) faz diferença no conforto do pós e na durabilidade do reparo.
Recuperação mais rápida e segura
No consultório, defino um plano de preparo (controle de dor prévia, ajuste de medicações, cuidado com anticoagulantes quando aplicável), explico sinais de alerta, documento restrições de esforço nas primeiras semanas e combino revisões para liberação progressiva de atividades.
O foco é voltar à rotina com segurança, sem pressa que aumente risco de recidiva. Quando a via minimamente invasiva é indicada, espero analgesia simples, deambulação precoce e alta breve, individualizando prazos para dirigir, trabalhar e treinar.
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