Na prática diária, avalio e trato doenças do pâncreas com foco em decisões objetivas: quando operar, qual técnica escolher e como organizar a recuperação. Em câncer, lesões pré-malignas e condições benignas selecionadas, a cirurgia é uma etapa central do cuidado, e meu papel é transformar exames e sintomas em um plano claro, passo a passo, alinhado ao que realmente muda desfecho.
Tratamento cirúrgico do câncer de pâncreas
O pâncreas tem funções vitais na digestão e no equilíbrio do açúcar no sangue. Quando surge um tumor pancreático com potencial de cura pela cirurgia, o primeiro movimento é confirmar ressecabilidade (se é possível retirar com margens) e checar condições clínicas para um pós-operatório seguro. A decisão é sempre individualizada, combinando imagem de qualidade, discussão técnica e seus objetivos de tratamento.
Quando a cirurgia é indicada
Indico cirurgia quando o tumor é ressecável ou, em casos limítrofes, quando após avaliação e eventual tratamento neoadjuvante existe chance real de retirar a lesão com margens livres e reconstruir os vasos/estruturas envolvidas com segurança. Em linhas gerais, pensamos em cirurgia quando:
- Não há metástases à distância documentadas.
- A relação do tumor com vasos (artérias e veias vizinhas) permite ressecção e, se necessário, reconstrução programada.
- O estado clínico permite atravessar a operação e recuperação com boa expectativa de benefício.
Também avalio cirurgia em lesões císticas mucinosas e IPMN com critérios de risco, e em tumores neuroendócrinos selecionados, sempre com base no conjunto tipo de lesão + localização + risco/benefício.
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Técnicas utilizadas no tratamento
A técnica cirúrgica depende principalmente da localização do tumor:
- Pancreatectomia distal (corpo/cauda): remove a porção final do pâncreas; quando indicado e viável, posso preservar o baço.
- Duodenopancreatectomia (cabeça do pâncreas): conhecida como “procedimento de Whipple”, remove cabeça pancreática, duodeno e estruturas adjacentes com reconstrução do trânsito digestivo.
- Enucleação: para tumores pequenos e bem delimitados, sobretudo neuroendócrinos selecionados, quando é possível retirar apenas a lesão preservando o restante do pâncreas.
- Ressecções segmentares e combinações: em cenários específicos, com planejamento vascular e reconstruções associadas.
Em todos os casos, o objetivo é retirar o tumor com margens e manter o máximo de função possível, planejando de antemão analgesia, drenos quando indicados, profilaxias e cuidados com função endócrina e exócrina no pós-operatório.
Benefícios da cirurgia minimamente invasiva
Quando a anatomia, o tipo de tumor e a logística do caso permitem, minimamente invasiva é minha via preferida. Ela não substitui critério oncológico, margens e linfonodos vêm primeiro, mas pode oferecer um caminho de recuperação mais previsível para muitos pacientes.
Laparoscopia
Na laparoscopia, opero por pequenas incisões com câmera de alta definição. Em pancreatectomia distal, a visão ampliada ajuda na dissecção refinada, potencialmente com menor dor de parede e internação mais curta, quando comparada à via aberta em casos selecionados. A decisão é sempre técnica: se a via minimamente invasiva agrega sem comprometer princípios oncológicos, ela entra como primeira opção.
Cirurgia robótica
A robótica adiciona braços articulados e tremor filtrado, o que facilita suturas e dissecções próximas a vasos. Em pancreatectomia distal e em enucleações selecionadas, a ergonomia e a precisão podem ajudar a preservar estruturas e padronizar etapas críticas. Em cenários complexos, posso começar de forma minimamente invasiva e converter se for mais seguro. A bússola é a segurança e a qualidade oncológica.
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