Quais doenças o gastroenterologista trata?
Postado em: 03/11/2025

As especialidades em gastroenterologia é um tema que aparece muito no consultório, e faz sentido começar por aqui.
Agora, explico como a gastro avalia, investiga e trata doenças do aparelho digestivo, do esôfago ao intestino, passando por estômago, vesícula, pâncreas e parede abdominal (hérnias).
Ao longo do texto, trago uma visão geral do que a especialidade cobre e, quando necessário, sinalizo o que está dentro do meu escopo prático de atendimento.
Especialidades em gastroenterologia: como se organiza
A gastroenterologia cuida das doenças do aparelho digestivo. Na prática clínica, começo entendendo sintomas, histórico, medicamentos e exames já feitos.
A partir disso, defino se o problema é funcional (sem lesão estrutural evidente), inflamatório, obstrutivo, infeccioso ou tumoral, e só então escolho os próximos passos.
Essa triagem evita exames desnecessários e antecipa decisões que impactam o tratamento.
Nos casos cirúrgicos, entro como cirurgião do aparelho digestivo, e quando a queixa é clínica, organizo a investigação e o manejo.
Em oncologia digestiva, avalio estadiamento e condições clínicas para indicar o melhor caminho (cirurgia, combinação com outras terapias, ou acompanhamento).
Sintomas que “levantam a mão” para a gastro
Alguns sinais pedem uma avaliação mais cuidadosa. Servem como ponto de partida, não como diagnóstico fechado.
Azia, queimação e pigarro
Queixas típicas do refluxo gastroesofágico. Além de desconforto, podem alterar sono, voz e impacto no dia a dia. Minha abordagem é confirmar a causa, orientar medidas clínicas e discutir indicações cirúrgicas quando necessário.
Dor na “boca do estômago”, náusea e sensação de empachamento
Podem sugerir problemas do estômago/duodeno (como gastrite ou úlcera), mas também aparecer em condições da vesícula biliar. O histórico com alimentos gordurosos e exames direcionam o próximo passo.
Desconforto após refeições gordurosas e icterícia
Clássicos da vesícula e das vias biliares (pedras, microcálculos, inflamação). Quando indicado, explico o papel da cirurgia e como é o pós-operatório.
Alteração do hábito intestinal (constipação/diarreia) e dor abdominal
Quadros persistentes merecem investigação. Meu trabalho é separar o que é funcional daquilo que pode requerer tratamento específico ou cirurgia.
Dificuldade para engolir (disfagia)
Sinal de alerta para alterações do esôfago, de distúrbios de motilidade (como acalásia) a questões estruturais. Exige avaliação organizada.
Do esôfago ao intestino: panorama por regiões
A seguir, um mapa das doenças mais discutidas na gastro. É uma visão geral da especialidade; a indicação e o tratamento são sempre individualizados.
Esôfago
No esôfago, lido com refluxo gastroesofágico e suas repercussões; disfagia; acalásia (alteração de motilidade); e lesões benignas como mioma e divertículo de esôfago.
Em oncologia, tratam-se tumores do esôfago (carcinoma epidermoide/adenocarcinoma), com decisões técnicas que equilibram segurança oncológica e recuperação.
Estômago e duodeno
Queixas como gastrite, úlcera péptica e infecção por H. pylori aparecem com frequência na prática geral da gastro.
Em oncologia, os tumores gástricos exigem estadiamento e, quando indicado, cirurgia com margens e linfonodos bem definidos; a via de acesso depende do caso.
Vesícula e vias biliares
Colelitíase (pedras), microcálculos, colecistite (inflamação da vesícula) e coledocolitíase (pedras na via biliar) costumam motivar avaliação. Sinais como dor após gordura, náusea/vômito e icterícia direcionam a investigação.
Em muitos casos indicados, a colecistectomia por videolaparoscopia é a solução cirúrgica de escolha.
Pâncreas
No pâncreas, abordo pancreatite (aguda/crônica), cistos pancreáticos e as neoplasias pancreáticas. A decisão terapêutica exige correlação entre clínica, exames e estadiamento, sempre com discussão franca sobre riscos/benefícios.
Intestino delgado e cólon
A prática geral de gastro vê de síndromes funcionais (como a síndrome do intestino irritável) a doenças inflamatórias intestinais (que exigem abordagem multidisciplinar).
Em oncologia, tumores de cólon e reto são prevalentes e pedem plano estruturado de estadiamento e tratamento.
Parede abdominal (hérnias)
Hérnia inguinal, umbilical, hiatal e incisional entram na rotina do aparelho digestivo. Indico cirurgia conforme tipo, tamanho, sintomas e contexto clínico, explicando quando a via minimamente invasiva faz sentido.
O que costuma estar na minha prática
Aqui, descrevo o que atendo diretamente no consultório, com base no meu escopo de atuação: refluxo, vesícula (pedras, microcálculos e quadros associados), hérnias (inguinal, umbilical, hiatal, incisional), constipação, disfagia, mioma/divertículo de esôfago e cisto pancreático.
Em oncologia digestiva, o foco está em pâncreas, estômago, esôfago e intestino.
Observação importante: não realizo cirurgia de fígado. Quando necessário, encaminho para colegas especializados nessa área.
Como investigo: da hipótese ao plano
A consulta começa pelo mapa de sintomas e pelo histórico de exames. Com isso, defino a necessidade de exames laboratoriais (por exemplo, enzimas hepáticas e pancreáticas, bilirrubina) e exames de imagem ou endoscópicos de acordo com o caso.
O objetivo é responder a perguntas simples: o problema é inflamatório? Obstrutivo? Estrutural? Há indicação cirúrgica agora ou cabe tratamento clínico e observação?
Ao final da primeira consulta, deixo um plano claro: o que já sabemos, o que precisamos confirmar e qual o próximo passo (ajustes de estilo de vida, medicações, exames adicionais, ou programação cirúrgica).
Tratamento: clínico, endoscópico ou cirúrgico
Há doenças que resolvo clinicamente (orientações, medicações, seguimento), outras que exigem intervenção endoscópica e aquelas em que a cirurgia é a melhor conduta.
Quando há indicação cirúrgica, explico a diferença entre via aberta e técnicas minimamente invasivas (videolaparoscopia e cirurgia robótica), incluindo expectativas realistas para dor, internação e retorno às atividades.
Quando a técnica minimamente invasiva faz sentido, ela tende a trazer benefícios como menor dor, alta mais rápida, menor risco de infecção/hérnia de incisão e menor sangramento, sempre lembrando que resultados dependem do procedimento e do quadro clínico.
Quando procurar com urgência
Alguns sinais pedem avaliação imediata: dor abdominal intensa com rigidez, vômitos persistentes, sangramento digestivo (vômito com sangue ou evacuação escura), febre alta com dor localizada, icterícia de instalação recente, dificuldade progressiva para engolir e perda de peso não explicada.
Nessas situações, oriento procurar pronto atendimento. Depois, organizo o seguimento.
Como decido junto com você
A consulta é o espaço para alinhar expectativas, discutir alternativas e combinar passo a passo. Quando a solução é cirúrgica, detalho riscos/benefícios, preparo, analgesia, mobilização precoce e sinais de alerta no pós.
Quando for o caso, avalio a possibilidade de videolaparoscopia/cirurgia robótica e explico por que essa via é ou não indicada para você. A decisão é sempre compartilhada.
Perguntas Frequentes
O que faz um gastro?
Avalio, investigo e trato doenças do aparelho digestivo (esôfago, estômago, intestino, vesícula/vias biliares e pâncreas). Organizo a linha de cuidado do clínico ao cirúrgico quando necessário, explicando com clareza o que cada exame e cada conduta significam no seu caso.
Quais são as principais áreas de atuação?
No dia a dia, a gastro lida com refluxo, doenças do estômago/duodeno (gastrite/úlcera), vesícula e vias biliares (pedras, inflamações), pâncreas (pancreatites e cistos), intestinos (condições funcionais e inflamatórias) e hérnias da parede abdominal. Em oncologia, entra a avaliação de tumores do aparelho digestivo com plano de estadiamento e tratamento.
Quais doenças mais comuns exigem avaliação do gastro?
Entre as mais frequentes: refluxo, colelitíase (pedras na vesícula), gastrite/úlcera, constipação persistente, disfagia, cistos pancreáticos, hérnias e, no campo oncológico, tumores de esôfago, estômago, pâncreas e intestino. A lista é ampla; o importante é não normalizar sintomas que voltam e atrapalham a rotina.
Quais sintomas digestivos não devem ser ignorados?
Azia/queimação persistentes, dor abdominal recorrente, vômitos frequentes, sangramento (vômito com sangue ou fezes muito escuras), icterícia, perda de peso não intencional, dificuldade para engolir e alterações do hábito intestinal sem explicação. São sinais de que algo precisa ser investigado.
O gastro também trata cânceres do aparelho digestivo?
Sim. Na oncologia digestiva, o cuidado começa pelo estadiamento e segue para o tratamento mais adequado. Na minha prática, concentro foco em pâncreas, estômago, esôfago e também intestino, sempre discutindo as opções e o papel da cirurgia quando indicada.
Existe diferença entre gastro e endoscopista?
Sim. Gastroenterologia é a especialidade que avalia e trata doenças do aparelho digestivo. O endoscopista é o profissional habilitado a realizar procedimentos endoscópicos (como endoscopia digestiva alta e colonoscopia). Muitos gastroenterologistas também fazem endoscopia; outros trabalham em parceria com endoscopistas.
Quando é indicado procurar um cirurgião digestivo?
Quando há indicação cirúrgica (por exemplo, pedras na vesícula, hérnias, alguns casos de refluxo e boa parte das cirurgias oncológicas do aparelho digestivo). Em dúvida, começo com a avaliação clínica; se houver necessidade, eu mesmo encaminho ou conduzo o tratamento cirúrgico.
Do sintoma ao plano: vamos organizar juntos?
Quando os sintomas aparecem e os exames começam a se acumular, o melhor caminho é transformar dúvida em plano.
A gastroenterologia ajuda exatamente nisso: entender o que está acontecendo, definir prioridades e decidir com segurança.
Se você convive com azia, queimação, dor abdominal, alterações do hábito intestinal, desconfortos da vesícula, dificuldade para engolir ou exames alterados ou se recebeu um diagnóstico que pode exigir cirurgia, traga seu histórico.
Eu explico em linguagem clara, avalio se há espaço para tratamento clínico e quando a cirurgia (inclusive por vias minimamente invasivas) entra no jogo.