Atendo em São Paulo como cirurgião do aparelho digestivo, com foco em doenças benignas e oncológicas do trato gastrointestinal. Na rotina do consultório e do centro cirúrgico, avalio casos de divertículos, sobretudo do intestino grosso, quando há diverticulose ou diverticulite, e também miomas do esôfago (leiomiomas), um tumor benigno raro da parede esofágica que pode exigir abordagem cirúrgica em situações específicas. Esses temas se conectam pelo mesmo objetivo: transformar sintomas e achados de exame em um plano claro, com critérios para tratar de forma segura.
Entendendo miomas e divertículos
A primeira etapa é definir o que estamos tratando e quando tratar. Em divertículos, a dúvida comum é diferenciar diverticulose (presença de bolsões na parede do cólon, geralmente assintomática) de diverticulite (quando inflama). Em miomas, falo de leiomioma de esôfago, diferente do conhecido mioma uterino, e aqui estamos no campo do aparelho digestivo, com comportamento, sintomas e condutas próprias.
O que são divertículos intestinais
Divertículos são pequenas “bolsas” que se formam na parede do intestino grosso. A maioria das pessoas segue a vida sem perceber que tem; chamamos isso de diverticulose. Quando um desses divertículos inflama, surge a diverticulite, com dor (frequentemente no quadrante inferior esquerdo), febre e alterações do hábito intestinal.
O diagnóstico combina história clínica, exame físico e, quando indicado, exames de imagem. O tratamento vai de medidas clínicas em quadros leves a abordagem hospitalar e, em casos complicados ou recorrentes, cirurgia.
O que são miomas abdominais
No aparelho digestivo, falo especificamente de mioma do esôfago (leiomioma), tumor benigno da camada muscular do esôfago. Pode ser assintomático e aparecer em exames de rotina, ou gerar disfagia, dor torácica inespecífica e sensação de alimento “parando”. A condução vai de acompanhamento a remoção cirúrgica (enucleação) nos casos sintomáticos, com crescimento ou incerteza diagnóstica frente a outras lesões subepiteliais. Essa é uma condição benigna do esôfago que faz parte do meu escopo clínico-cirúrgico.
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Sintomas e diagnóstico
Em diverticulite, o sintoma clássico é dor no lado inferior esquerdo do abdome, que pode vir com febre, náuseas e alteração do hábito intestinal (prisão de ventre ou diarreia). Em casos graves, podem surgir abscessos, perfuração e sangramento. O diagnóstico combina avaliação clínica e exames. Na fase aguda, frequentemente tomografia é a imagem de escolha; fora da inflamação, a colonoscopia entra para avaliação de rotina quando indicada.
Nos miomas do esôfago, o sintoma que mais chama atenção é a disfagia (dificuldade para engolir), sobretudo para sólidos, além de desconforto retroesternal. A investigação costuma envolver endoscopia, ecoendoscopia (para caracterizar a camada de origem) e, em situações selecionadas, tomografia ou ressonância. Quando a lesão é pequena e assintomática, é possível acompanhar; se há sintoma, crescimento ou dúvida diagnóstica, discuto tratamento cirúrgico.
Exames necessários
Seleciono os exames que mudam a conduta. Para divertículos, priorizo imagem na fase inflamatória e organizo a colonoscopia em momento seguro (fora da crise) quando há indicação. Para mioma de esôfago, a ecoendoscopia ajuda a diferenciar leiomioma de outras lesões subepiteliais. Em ambos, os exames laboratoriais e a avaliação clínica guiam a necessidade de internação ou tratamento ambulatorial.
Quando a cirurgia é indicada
Indico cirurgia para divertículos em cenários de complicação (abscesso não responsivo à drenagem percutânea, perfuração, peritonite), em recorrências que impactam a qualidade de vida ou quando persistem sintomas mesmo após tratamento clínico otimizado. A operação típica é a colectomia segmentar, planejada e preferencialmente por via minimamente invasiva sempre que viável.
Para mioma de esôfago, a indicação cirúrgica surge com sintomas, crescimento, incerteza diagnóstica ou lesões volumosas. A técnica é enucleação da lesão, preservando as camadas externas e a luz do esôfago, frequentemente por videolaparoscopia/toracoscopia ou robótica, conforme o caso.
Tratamento cirúrgico
O fio condutor é planejamento individualizado, escolha da via de acesso com foco em segurança e recuperação e um pós-operatório organizado, com sinais de alerta e retorno programado.
Laparoscopia
A laparoscopia usa pequenas incisões e câmera com visão ampliada do campo. Em divertículos (colectomias indicadas), facilita a dissecção delicada, reduz dor de parede e costuma encurtar a internação, quando comparada à via aberta em cenários selecionados.
Em mioma de esôfago, quando a via abdominal/torácica minimamente invasiva é factível, a laparoscopia/toracoscopia permite a enucleação com excelente visualização, preservando o órgão. Essa abordagem integra minha rotina de cirurgia minimamente invasiva.
Cirurgia robótica
A cirurgia robótica agrega braços articulados e visão em alta definição, que ajudam em suturas e dissecções finas. Em reconstruções mais exigentes e em lesões subepiteliais do esôfago, o ganho de precisão pode ser útil; em divertículos complicados ou reoperações, também é uma aliada.
A decisão entre laparoscopia e robótica é técnica e discutida com transparência em cada caso. Opero com robótica de forma contínua há anos, sempre com a mesma lógica: indicar quando agrega, optar pelo caminho mais simples quando ele já entrega o resultado.
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